sábado, 21 de Novembro de 2009

Pormenores

Ando a afinar muito, não me queixo.
Estou a pensar em postar aqui um texto cheinho de linguagem técnica, para vos inteirar dos truques e manhas de ser afinandor. É que há coisas que no post anterior podem não ter qualquer significado para vós outros. Não quero que vivam na ignorância total; na parcial já tolero.
Vamos lá ver como corre.

Eira: um espaço plano com um chão duro II

Ontem sempre voltei à Casa de Família.
Como tinha deixado quase a afinação toda feita, tive  de rever tudo o que tinha feito da última vez em que lá tinha estado. O que aconteceu é que revi todas as notas novamente mas ao menos fiz tudo em duas horas e meia  (consegui tira uma hora inteira ao meu tempo normal de uma afinação). Estava tudo geralmente igual, mas havia algumas notas que tinham alterado muito a sua afinação: eram as cordas que tinham sido mudadas por um afinador anterior. Técnicamente, defendo a colocação de um cilindro diminuidor do diametro do orifício onde entra a cravelha, naquelas que têm tensão mínima iguais ou inferiores a 1.1Kg. Se não, todo o trabalho de mudar cordas nunca mais fica pronto nem estabilizado. Não foi o que fiz, não era necessário, mas foi no que pensei enquanto afinava as cordas novas.
Eu próprio tive de substituir as cordas que parti durante a afinação. Duas notas, com um total de 3 cordas, 4 minutos a colocar cada uma.
E terminei a minha intervenção no piano Riese - marca francesa já extinta - um piano com história, modesto, mas com um som tão mas tão doce, que me fez sorrir enquanto o afinava.
Gostei, gostei.

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Eira: um espaço plano com um chão duro I

Na semana passada, fui afinar a uma típica casa de família, grande e arejada por causa dos vários jardins que a envolviam.
O Piano era já antigo mas a senhora que me telefonou, insistiu que o piano fosse afinado porque tinha uma ligação muito grande àquele piano, porque ja tinha sido de um familiar muito chegado.
Começei a afinar mas não acabei, porque demorei a verificar o estado de saúde. Não sei bem o que a senhora quer que eu faça no piano, mas esta semana acho que passo por lá outra vez.
 A ver vamos.

domingo, 15 de Novembro de 2009

O dia com os Miúdos

Foi mesmo muito engraçado. Eu sempre tive jeito para lidar com crianças (veia do meu pai) e por isso estive durante aquela tarde, nas minhas sete quintas.
Primeiro, fiz uma pequena apresentação, muito levezinha porque não convém manter a criança enfadada num sábado à tarde. Mas contei-lhes o essencial sobre a história dos pianos, desde o Cristofori e os seus companheiros de profissão, até aos pianos actuais, passando por duas guerras mundiais.
Depois, tirei-os da sala onde estavamos e levei-os para uma outra sala onde já tinha preparado os materiais para explicar-lhes de uma forma simples o que era uma afinação e como se fazia.
Vieram-me dizer que eles gostaram muito daquele bocadinho de tarde em que estive com eles. Eu gostei também; afinal, é sempre bom falarmos daquilo que gostamos de fazer, não é?

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Castelo

Há três semanas atrás fui afinar um piano que se tinha mudado da Póvoa para o Porto.
O som deste piano era doce e, também, por causa disso o resultado final ficou bastante agradável ao ouvido.
Tive só de calibrar duas teclas e um abafador. Foi uma daquelas afinações simples mas bastante simpática de se fazer. 
E estava um dia de inverno; que bom.

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Miúdos e Graúdos

Amanha vou dar a palestrinha interactiva sobre afinação de pianos aos alunos da tal escola de música.
Algo me diz que me vou divertir mais do que eles!!

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Palácio de Cristal

Uma vez fui afinar um piano à biblioteca do palácio. Já não me lembro muito bem mas acho que era de 1/4 de cauda.
O Pianista escolhido era um jovem rapaz, adolescente prodígio, de nome R.C., que, pelo que ouvi na altura, tinha ficado sempre no Top3 em todos os concursos em que participara.
Mas não estou aqui hoje para falar dele, mas sim de uma professora de piano do Conservatório que também tinha ido ver o mini-concerto dado por ele.
Estranhei a presença dela, tal como ela estrahou a minha.Cumprimentámo-nos, e depois das usuais interrogações sobre o motivo de cada um estar alí presente, disse-lhe temerosamente que estava ali porque era O Afinador.
Ela ficou bastante contente, talvez por conhecer o meu percurso no conservatorio, deu-me os parabéns e no fim do concerto, antes de ir embora, pediu-me o meu contacto para combinarmos uma afinação ao piano dela!!
Fiquei bastante impressionado com isso; todos sabemos que professores de piano têm normalmente o mesmo afinador durante décadas, e só trocam quando o afinador porta-se mal.
Nunca pensei que aquela afinação iria ter tantas consequências, por isso é que na mais pura inocência, e depois de afinar o piano, perguntei à professora o que tinha achado da afinação. Parvoíce a minha; a verdade é que, intencionalmente ou não, estava a ser avaliado nas minhas competências como afinador e ter perguntado aquilo,soou algo tipo "diga-me, acha-me digno de afinar para si?".
Fui afinar como se fosse, e foi, mais um piano que me tinham pedido para orientar e por isso digo-vos aqui que não quis ser de modo algum pretencioso nem intrometido.
Posto isto, a professora gostou bastante do trabalho e aproveitou para me perguntar se não estaria interessado em participar num masterclass para explicar, aos alunos da escola de musica onde dá aulas, como é o dia-a-dia de um afinador de pianos. Obviamente que aceiteí.
Combinámos em falar mais tarde, despedimo-nos e corri para o metro, a sorrir para todos os que iam passando por mim.

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Famalicão IV

Terminando a odisseia de Famalicão, digo-vos que afinei o Bosendorfer todos os dias mas deixei de tratar dos outros dois porque simplesmente já não era necessário.
Aprendi coisas bastante importantes durante este festival que me vão ajudar a defender do touro quando este me aparecer de frente.
Os concertos foram mesmo muito bons mas, estranhamente, gostei de todos menos do último. Por isso até não me dei mal neste festival; apesar de ter apanhado um Ferrari, tinha sempre um saco de Maltesers para me confortar.

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Famalicão III

O plano era fazer afinações de terça a domingo com uma folga na sexta.
Mas os planos mudaram e acabei por afinar também naquela sexta feira. Já tive oportunidade de afinar para alguns (poucos) colunáveis portugueses e neste saiu-me na rifa o  Sr. Compositor.
Ele ia estar no café-concerto do festival a tocar e a conversar sobre aquilo que melhor sabe fazer e não só; reafinei então o piano vertical que se chamava Preto e Prata pelas razões óbvias.
Mas mais uma vez o tempo era pouco e o trabalho era muito porque a N. S. tinha estado a estudar naquele piano da parte da manhã.
Fiz tudo em 2h30, o que significa que encurtei o tempo útil em cerca de uma hora!!!
Comecei a ouvir vozes na sala mas ignorei porque estava a trabalhar e também porque estava de costas para as cadeiras, até que me virei e lá estava o pianista numa mesa a conversar e fazer tempo até o técnico acabar de fazer o seu trabalho.
O tiago foi ter comigo e disse-me para deixar o piano e eu cheio de vontade obedeci às ordens porque já só pensava no sofá do foyer e no meu saco de Maltesers.
Já não me lembro o que fiz mais nesse dia para além de voltar a afinar e regular o Bosendorfer para o concerto da noite e ter de voltar a afinar outra vez o lá4, o fá3 e mais umas no registo agudo durante o intervalo do concerto.
Com um piano assim, fico sempre com o coração nas mãos durante o concerto; é que o meu ouvido (absoluto) dispara o alarme bem mais cedo que a maioria dos ouvintes e percebe se há diferenças de frequência pequeníssimas entre as cordas que constituem cada nota.
Por isso é que enquanto muitos durmiam nos concertos da noite eu fazia de tudo para não mostrar a minha aflição auditiva.
Enfim.




para o Vitor Madeira

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Famalicão II

Voltei para afinar um BabyGrand meu conhecido e lembro-me que já era mesmo tarde.
Lembro-me também de pensar no Nuno, no Tiago e nas grandes pasmaceiras que eles tinham de gramar por minha causa; eram sempre no mínimo umas três horas mortas para eles mas a fervilhar de actividade para mim.
A afinação foi normal mas o cansaço já era mesmo muito; três pianos em um só dia é de vacina.
Acabei de afinar e metemo-nos no carro para mais uma viagem até ao Porto. 
Foi chegar, durmir, acordar e voltar, porque os festivais não se fazem num só dia.

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Famalicão I

Se ser afinador é por si só sinónimo de responsabilidade, ser o afinador de um festival internacional o que será?
Era um festival internacional e o Nuno fez-lhes um empréstimo de dois pianos, um de cauda e outro vertical. A particularidade deste festival, é que realizou-se num centro cultural que possui um piano Bösendorfer 280 (mas não o Imperial, como alguns pensavam).
Esta é a parte do meu trabalho (diferenciação por parte dos proprietários sobre a qualidade do piano) à qual tento não dar muita importancia, quer dizer, dou, mas só em quantidade que não interfira naquilo em que estou concentrado em fazer, que é afinar.
Afinar para este festival foi literalmente um misto diário de emoções.
Já me queixei há uns tempos atrás o facto de afinar mais do que um piano por dia; mas desta vez tive de afinar três, dois dos quais, praticamente novos.Fiquei de rastos logo na primeira ronda e previa uma segunda a meio gás.
Fui ao filé mignon americano já a pensar nas horas de trabalho e tratei de organizar mentalmente as duas afinações que me faltavam .A mim, contaram-me maravilhas sobre aquele "bösen", que era tal carro sonhado pelo Sr. Enzo. Como não conhecia o piano só me restava aceitar os dizeres como verdade.
Então, por volta das três da tarde começei a afinar o Ferrari. 
Mas meus caros leitores, é a primeira vez que digo uma coisa destas, mas comparar um piano a um carro é algo a meu ver bastante triste e desprovido de ideia. Não apoio a ideia de comprar um piano só para exposição; há quem goste, mas para mim não faz qualquer sentido. A história da comparação só me faz lembrar este meu insignificante ponto de vista, mas continuemos.
Tecnicamente, o piano não segura afinação. Foi a primera vez que fiquei mais do que quatro horas à volta de um piano. Contrariamente às minhas espectativas, a afinação foi penosa; é que afinar uma nota e ouvi-la a descer só por causa da vibração das cordas adjacentes é demasiadamente frustrante (lembrem-se que cada nota a partir do registo médio tem três cordas que precisam de estar afinadas em perfeito uníssono!!!).
Queixei-me primeiro ao Nuno e avisei-o que o Bosendorfer 280 de Concerto não estava a segurar a afinação.
Tive de o deixar o melhor que pude porque ainda tinha mais um piano para afinar e tinha passado a tarde toda a afina-lo, só na companhia de um saco de Maltesers.
Fui jantar e apesar de não haver vontade, voltei para o sítio do festival a morrer de cansaço e com o cerebro em modo ignora tudo o que vês/imagina que estás a durmir...

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Remake Steinbach

Estou a restaurar um piano ha dois meses!
Restaurar a sério mas só por dentro; o que não diminui em nada a quantidade de trabalho. O Steinbach é aquele piano que já teve direito a um post há uns valentes meses atrás. Tem à vontade mais de 70 anos porque a máquina é totalmente feita em madeira e os abafadores são de baioneta; coisa que já não se faz desde o tempo das minhas queridas vovós.
O que mais me deu prazer até agora foi desmontar o piano na casa do cliente. Primeiro trouxe a máquina para minha casa e depois fui lá rebentar as cordas todas, tirar cravelhar, rasgar feltros e tudo o que não era parafusos de sustentação veio também pelo mesmo caminho. É estranho ver um piano desnudo pois fica muito simplificado e pode dar a impressão de que um piano é algo muito simples de trabalhar: mentira!
Ainda não acabei de o restaurar. Tenho a maquina toda desmontada na minha garagem e no meu quarto. O mais complicado vai ser pôr as cravelhas novas, que fazem tanto barulho que tenho de usar protecção nos ouvidos (não é mania, é mesmo verdade), é que têm de entrar à martelada. O mais demorado é renovar a maquina, que já ocupou até hoje 3 semanas só a desmontar e limpar. Hoje começo a colar feltros novos, finalmente.
Proximos passos: limpar o corpo do piano, por cordas e cravelhas e fazer, depois disto tudo, afinar o piano 3 vezes com intervalos de 10 dias entre cada uma.
Para a proxima penso duas vezes antes de aceitar um remake; fazer filmes não é tarefa fácil.
Não não.

domingo, 30 de Agosto de 2009

10 de agosto

Então não é que este blog já tem mais de um ano, e eu nem tinha notado?Espera-me mais um; a ver vamos.

(continuam a ser quatro, este não conta)

De volta

Caros visitantes, sosseguem os vossos espíritos; por estes lados, há quatro textos na calha.

terça-feira, 28 de Abril de 2009

V de Forte!!

Há uns tempos atrás (as afinações foram acontecendo mas eu não as fui relatando.Peço desculpa) fui afinar um piano do Nuno para um Festival numa Terra do Norte que, a meu ver, é demasiado ventosa e fria, o que me matava os ossos das mãos se tivesse que lá viver.
Sobre este episódio na Terra do Norte guardei três pequenas anotações.
A primeira, é que por muito bem que um piano novo fique depois de uma afinação, este pode sofrer oscilações tais, que no dia seguinte, literalmente da noite para o dia, todo um trabalho de sensivelmente 3,5 horas, tenha ido por água abaixo. Foi o que aconteceu desta vez.
A segunda anotação resume-se a uma conclusão a que cheguei sobre os pianistas, que é a seguinte: Regra geral, os pianistas não conhecem o seu instrumento musical. Digo-vos que fiquei espantadíssimo com algumas coisas que ouvi e vi fazer, que me deixaram honestamente perplexo; mas para remissão dos nossos pecados, ainda bem que nunca é tarde para aprender...
A terceira anotação é a unica que me tira o habitual sorriso na cara. Chama-se desorganização e/ou má vontade. Individuos desorganizados fazem-me desesperar, e o desrespeito pelo meu trabalho de afinador leva-me, pela certa, ao delírio (embora possa não parecer). O que me dizem é que estas coisas acontecem, o que não duvido.
Mas, independentemente de éne anotações, o que nunca deixo de fazer é o meu trabalho da melhor maneira que possa.
"....tudo o resto, é vaidade."

Peso da Régua II

Tinham-me avisado.
Depois de afinar o piano do hall de entrada, tinha ainda que dar uma vista de olhos num piano vertical "Young Chang" (nota: o piano do Hall só ficou pronto depois das oito da noite, a minha última refeição tinha sido um almoço ligeiro, e o meu ouvido já pedia por socorro).
Jantei, subí ao terceiro andar, e lá estava ele, um piano vertical de estudo encostado à parede, com os previsíveis elementos decorativos a cargo do Hotel. Pedi ao Nuno que experimentasse, para eu poder ter uma noção real do que tinha pela frente.
(...tou mesmo cansado; mas por que é que continuas a aceitar mais do que um piano por dia, isma??)
O piano não estava muito mau, mas àquela hora, para mim, tudo já era difícil de concretizar.
Resumidamente fiz uma afinação de emergência, porque apenas afinei aquelas que necessitavam mesmo de ser rectificadas.
(...despacha-te a arrumar isso isma!!!ainda tens de fazer quase 200 quilómetros para chegar a casa e já é meia noite, ai)

segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Peso da Régua I

No último mês que passou, trabalhei!
Trabalhei dias inteiros e no final disso senti-me mesmo cansado. Mas vamos ao que interessa (como sempre, cada post seu piano).
O Nuno vendeu um piano para um hotel na Régua, que fica mesmo em frente ao rio Douro. Eu, as vezes, vejo-me como um verdadeiro apêndice vital, visto que independentemente do lugar para onde os pianos do Nuno vão, eu, qual sina, tenho de ir também. E ainda bem que assim é.
O piano não me era estranho, afinal, era aquele que tinha sido emprestado ao J. C., e como já o tinha afinado, sabia de ante-mão o que iria encontrar.
Mas pensemos um pouco e juntemos algumas peças.
Um hotel tem sempre o A.C. a funcionar, a temperatura no interior de um hotel sofre variações em espaços de tempo bastante curtos, o hall de entrada (onde está o piano, ainda que resguardado) é o local com maior amplitude térmica dentro daquele espaço, e o piano ainda não completou um ano de vida. Conclusão mais que óbvia para os entendidos é a instabilidade da afinação numa questão de semanas.
Sabendo tudo isto, fiz, como tento sempre, o meu trabalho da melhor maneira que pude, e a afinação acabou por se revelar rotineira, embora sempre particular, morosa mas exequível.
O hotel estava a celebrar 10 anos de existência (daí a compra do piano) e por isso iriam ter um concerto naquele mesmo piano, nesse mesmo dia.
Quando estava quase a terminar a afinação, apareceu o pianista, que me auxiliou na fine tuning. Posto isto acabei a afinação e deixei ,novamente, pessoas felizes.
Mas para mim, o dia não tinha ainda acabado, não tinha mesmo.

Pode não parecer, mas

"...para a frente é que é o caminho"

quinta-feira, 5 de Março de 2009

Não Por Mim, Tempo Controlado

Acabaram os exames!
Primeira semana de aulas!
Voltaram as afinações não-rotineiras!
Coincidência?
Nem pensar!!

segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

Tempo (quase) Livre

Acabei na quinta passada os meus exames da Escola Grande!
Vou fazer férias a estudar para outros assuntos, mas entretanto vou ali afinar o piano da minha igreja e já volto.

sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Tecido-vida

Preciso de comprar metros de feltro!
Sem ele nada feito; quer dizer, faz-se, mas demora muito mais tempo.

quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

Cávvái

Eu acredito que todos os pianos têm a sua personalidade!
Temos os assumidamente teimosos, os pacificos, os permissivos, os individualistase os incógnitos. Já tive a experiência de afinar um de cada género.
O piano deste post foi uma incógnita do inicio até ao fim e por isso tive dividir a afinação em duas sessões, visto que só com uma quase não ia conseguir fazer um trabalho significativo no som . Comportou-se tal como um piano novo vindo directamente do Barco, mas verdade seja dita, tinha já os seus 8 anos de uso. Por isso é que não entendi muito bem com o que é estava a lidar. Havia qualquer coisa invulgar no som daquele piano que não me deixava nada confortável; nem consigo descrever o som que era.
Afinei então em duas vezes, e quanto o trabalho estava feito perguntei a mim mesmo com um ar honestamente questionante...



"...mas que piano era aquele?!"

segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Era uma vez um piano Francês...

Cumprindo com a minha palavra, aqui vai.
Daquela vez em que fui afinar o piano para o J. C. , um dos técnicos de som que estava a trabalhar apanhou-me já quase à saida e meteu conversa, dizendo que tinha em casa um piano francês parado já há alguns anos e que queria saber se o dito teria forças para aguentar uma renovação.
Eu, como bom profissional que tento ser, não disse nem que sim nem que não sem ver o piano (porque a prevenção é tudo e nunca sabemos o que o dia nos reserva).
Combinámos a data para a sondagem e quando cheguei finalmente a ver o piano tive quase uma visão (atenção, que não voto nos Holísticos) do que iria encontrar.
Era o tal Piano Francês, que tinha vindo para Portugal há cerca de 20 anos, dos quais 5 foram passados na loja e os restantes 15 já na casa do cliente, literalmente intocado. O interior estava bastante danificado porque o tempo não perdoa e as traças também não. Lá tirei as anotações necessárias e avisei o Sr. H. que só iria ter noticias minhas "...mais lá adiante" .
Então, quando me sentei para ver as anotações que tinha tirado, reparei que tinha escrito que o piano era armado em madeira!!Pensei logo onde é que tinha a cabeça; é que os pianos com armação em madeira vão ficando tão instáveis ao longo do tempo que tentar uma afinação/reparação é um autêntico desperdício de tempo e dinheiro.
Apressei-me em falar com o Sr. H. e dizer-lhe que a melhor opção era comprar um novo ou um electrónico.Fiquei um pouco desconsolado porque podia ser uma boa oportunidade de reparar algumas partes de um piano, o que é muito prazeroso de se fazer.
Enfim, assim foi a minha odisseia com o Piano Francês, o pseudoanimador de soirées.

sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

Catarina

Meus caros!!
Antes de mais, peço desculpa por não escrever aqui há bastante tempo. Não me vou justificar, porque no caso vou deixar justificações para quem de direito, e por favor não me levem a mal.
E para remediar a minha falta de zelo e cuidado, vou me entreter nos próximos dias a relatar todas as afinações que fiz nestes últimos meses, os avanços no meu percurso e algumas peripécias que me fizeram dizer que valeu a pena sair da cama, todos os dias.
Vemo-nos por aí...

quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

Para sair da mingua...

...estou a afinar o piano do meu irmão.

sábado, 8 de Novembro de 2008

Pausa

Já não afino há 10 dias, mas para semana o caso muda inevitavelmente de figura.
Não estar a afinar é mau porque o ouvido fica preguiçoso, mas tem sido bastante bom porque aproveito o tempo e tiro um pouco de pó ao livro do Prescott - Harley - Klein.

quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

C

Isto aconteceu no sábado passado.
O Nuno telefonou-me a perguntar se eu podia afinar um piano para o J. C. , que vinha cá ao Porto para dar um concerto às gentes da Galp. Esse dia de semana ia ser um bocado apertado em termos de tempo porque sabia de antemão que ia fazer de fazer de pai, mãe e irmão mais velho durante 36 horas. Mas lá consegui organizar-me e arranjar tempo para estar disponível durante todo o dia de sábado, caso o J. C. precisasse.
Mas vamos ao que interessa: o piano.
Era um de cauda de 1.8 metros, penso eu, e novo!!Já é conhecida a minha opinião sobre pianos novos, mas lá teve de ser. O piano tinha de estar pronto às 17h para o sound check e por razões diversas só o comecei a afinar ao meio dia, quando tinha intenções de começar a trabalhar às onze, por isso tinha cerca de 5 horas para afinar um piano de cauda, novo, para um concerto. Cheguei mesmo a pensar que era impossível tê-lo pronto a horas, porque estava a trabalhar numa sala Enorme, com os técnicos de som e de luzes a fazer também o seu trabalho, as donas da limpeza a darem largas à imaginação, e eu, o afinador do piano ali no meio a tentar ouvir somente aquilo que realmente interessava.
Para aumentar a pressão, por volta das 16 horas chegou um senhor bastante amigo do J. C. que me veio dar as boas novas: "...ah, porque precisamos do piano pronto...", pelo que eu traduzi desta forma para português "...isma, para teu próprio bem, despacha-te bem rápido".

Eu que já estava a ficar um pouco ansiolítico (***) fiquei ainda mais, mas limitei-me a continuar o meu trabalho e dizer ao Sr. Bastante Amigo que só conseguia o piano para as 16h30.
Verdade é que as 16h50 aprovei o trabalho e disse-lhes que já estava pronto. Depois disto é que me fui alimentar, mas ainda tive de lá voltar para dar um jeito à oitava índice zero (a primeira a contar da esquerda).
Mas o que me surpreendeu nisto tudo, foi o facto de ter trabalhado debaixo daquele barulho todo, com tempo bastante limitado, e ter conseguido deixar o piano com a afinação bastante boa.
Saí de lá totalmente K.O., mas o importante é que o J. C. gostou do piano e do som.
E eu contente xD

segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

Os bem-amados BabyGrand

No dia seguinte ao que escrevi o post anterior, tive de ir reafinar o mesmo piano. O Nuno telefonou-me nessa manhã para tratarmos de outros assuntos, e a propósito disso disse-me que o piano tinha reagido mesmo mal à afinação. Cheguei lá e de facto aquilo estava mesmo desafinado que eu próprio pensei que o erro tinha sido meu.Fiquei mesmo apreensivo porque uma coisa daquelas nunca me tinha acontecido.
Pus mãos à obra e tive a tarde toda a pelejar contra aquele BabyGrand.
O chato destes pianos é que são, a meu ver, demasiadamente pequenos para encaixar tanto som, e talvez por isso tenham o som tão metálico quando são novinhos em folha. Mas com o uso devem ficar bem melhores.
E à custa deste piano, já tenho quatro na mão, calos.

quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

NA MESMA DIVISÃO QUE EU

Hoje sinto-me verdadeiramente chateado!!
Passo a explicar; como estava combinado, eram três da tarde e lá apareci eu, com uma pasta debaixo do braço com as ferramentas do costume, pronto a passar mais uma tarde a testar o nível da minha paciência auditiva (que continua no nível "Mais que Satisfatório").
O sítio era um bar com acesso bem fácil à rua, o que não foi nada facilitador do meu trabalho porque o barulho da rua ouvia-se perfeitamente no local onde estava o piano. Para ajudar, sempre que a Dona C. atendia o telefone eu tinha de parar a afinação por motivos sonoros. A coisa melhorou quando Dona C. pegou no telemóvel e passou a atender as chamadas longe de mim (Obrigado por isso Dona C.). Por fim, a cereja em cima do bolo:a Dona C., proprietária do estabelecimento, suponho eu, sacou do cigarro fumou um pouco e acabou por deixar o cigarro a morrer sozinho, ficando eu a levar com o fumo todo.
Por isso podem deduzir as belas condições de trabalho a que fui sujeito, logo as três que eu não suporto. Barulho, interrupções constantes e fumo.
Assim sendo, se alguma vez me pedirem para afinar o vosso piano, não façam muito barulho, e mais importante, NÃO FUMEM NA MESMA DIVISÃO QUE EU!!!

sábado, 18 de Outubro de 2008

Fresh & New

Há pianos que eu não simpatizo muito para afinar: os novos. Têm o som mais cru e selvagem que eu conheço, e para as afinações deixam-me mentalmente cansado bastante depressa. Anteontem afinei um piano que, apesar de ter ido para a casa do cliente há sensivelmente dois anos, nunca tinha sido afinado e pior, nunca foi usado.
E pela primeira vez, acabei o trabalho já com uma grande vontade de ir para casa para apreciar o silêncio, pois já estava a ficar com uma dor de cabeça mesmo forte; ossos do ofício.
Mas sim, é mais um para o registo.

quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

Para a Frente

Muito honestamente, nunca pensei que pudesse trabalhar tão assiduamente na afinação como o faço hoje. Ainda me lembro quando afinava pianos de amigos simplesmente para praticar. A minha sorte é que sempre tive o bom senso de não o fazer em pianos muito problemáticos, porque podia correr bastante mal para os meus lados.
Evoluir como afinador exige trabalho árduo, muita leitura do material que existe disponível e muita mas muita prática (calos na mão direita é capaz de ser um bom sinal. A literatura do Afinador não está escrita em português, pelo menos eu nunca encontrei, e por isso tenho de fazer o pequeno esforço de ler em inglês, o que acaba por ser bem mais fácil do que se lesse teoria temperamental em alemão.
Mas o que me fez escrever este post foi um episódio que aconteceu esta semana e que me deixou com aquele sentimento do "...quero que isto avance, mas não assim tão rápido." Quando as coisas que nos são favoráveis acontecem frequentemente umas a seguir às outras é necessário não esquecer que a nossa melhor defesa contra a efusão é nos lembrarmos da possível efemeridade dessa mesmas coisas.Calma e prudência é o que de melhor há.
Mas relembrando a dinâmica laboral do trabalhador por conta própria,


"...o importante é não estar mais do que uma semana sem fazer uma jogada." - Luis Meireles

domingo, 5 de Outubro de 2008

Tempo de Investir

230€ em material porque o negócio está cada vez mais sério (graças a Deus), e também porque há uma semana atrás ia afinar um piano em casa de um cliente, e cheguei lá com fé de que ia ser mais um. Até que percebi que não o podia afinar porque nenhum dos abafadores que tinha levado comigo cabia no minimo espaço que existia para os colocar. Pode-se dizer que antigamente os pianos não eram construidos a pensar no trabalho do afinador.
Encomendar uns novos é a única solução.
A ver vamos
...

terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Cara Nova

A outra punha-me doente.

segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

Revolução

E como o prometido é devido, aqui está o que já estava para contar há umas semanas atrás.Não vou, obviamente, fazer a transcrição exacta da conversa porque (para além de não ser, literalmente, da vossa conta) já não me lembro de pormenores e tudo o que restou foram as ideias gerais, que serão escritas.
Então, aqui vai.


Por volta das 15h30...
Ele: Ismael Macaia?
Eu:(...) Sim, é o próprio.
Ele: Daqui é N. S. .Descobri-o através do seu blog na internet e estou a desenvolver um projecto sobre (...) e gostaria de ter a sua colaboração.
Eu: Hum...
Ele: Gostaria que nos pudesse orientar na parte da escolha de algum material para o piano e também na parte da afinação. Será que nos podemos encontrar para discutir melhor o assunto?
Eu (depois de sacar da agenda):Sim, hoje mesmo era boa ideia.
Ele: Então até já!
Eu: Até já.



Fui ter com o Nuno, e o Tiago que já lá estava, e eles mostraram-me uma sala, muito bem camuflada, no rés-do-chão de um prédio, com uns 12 pianos expostos lá dentro, 3 de cauda e uns 9 ou 10 verticais!!
Verdade seja dita, só aí é que entendi verdadeiramente o que é que o Nuno me estava a pedir. Mostrou-me os pianos todos, abriu tampos, mostrou o tipo de materiais e pôs-me a par do conceito e da filosofia do projecto.Ainda ficamos um bom bocado a conversar, e no final da conversa eu disse que ia pensar e dava-lhe uma resposta passado uns dias.
Passado os tais dias, telefonei-lhe a dizer que aceitava, à cautela de algumas condições, e a partir desse dia, passei a ser o único afinador a cuidar dos pianos dele.
Actualmente, já afinei o piano de cauda (o tal de 1.8 metros) e tenho os outros para afinar.Afinações para concerto é coisa que também vai acontecer.

Por isso, afinar pianos vai ser o meu dia-a-dia =)
Bom bom é ter trabalho...

sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

Post Provisório

Hoje à noite, vou vos contar a história do telefonema no Nuno!
É bastante "overwhelming".

quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

Vida

Como o afinador também anda na escola dos meninos grandes, amanhã é o dia em que ele vai trajar pela primeira vez!

terça-feira, 16 de Setembro de 2008

Hoje

Hoje afinei um piano de cauda de 1.8 metros, novinho em folha (por isso é que me doem as costas...ah)!
Nunca tinha sido afinado porque veio há uns meses da fabrica e só agora é que se começou a tratar dele pois já acabou o tempo de repouso. Veio para Portugal num contentor, de barco, o que me faz sempre alguma confusão, porque é no mar onde as tempestades são mais sinistras e destruidoras.
Apesar de o piano ter dado imensa luta, a afinação até que correu bem. O cliente gostou da afinação. Mas eu, que admito aqui que sou perfeccionista, fiquei com a ligeira impressão de que podia ter afinado melhor, mas o próprio piano e as minhas capacidades auditivas não se uniram à minha força de vontade.
O próximo trabalho é já para a semana e é um piano vertical: um brinde à tendinite!!

sábado, 13 de Setembro de 2008

Sim em Casa

Tal como tinha dito cheguei a casa no dia 7, depois de uns dias de trabalho/férias e um concerto de arromba!Soure é uma terra muito engraçada (não fosse ela tipicamente portuguesa) , que proporciona aos seus visitantes uns bons momentos de descontracção que são tão bem apreciados pelos seres viventes das grandes cidades.
Descobri ontem que o piano mais difícil que afinei até hoje é o piano que está no meu quarto!Podia ser um piano fácil, "mole" e gostoso de afinar, já que está cá em casa; mas não, é tão difícil de domar que demorei 7 horas ( com paragens, vá...) a acalmá-lo.
Normalmente o piano que está em casa de um afinador nunca peca pela afinação porque sempre que o trabalho fora de casa escasseia, dentro de casa nunca se pode dizer o mesmo. Manter o ouvido apurado e a mão sensível é essencial. Só tenho pena é de ter que suar tanto para me manter na mó de cima.
Em relação à vertente "negócio" tenho uma novidade para dar devido ao telefonema do Nuno, mas vou-me conter fortemente e vestir o colete de forças até ao dia 24.

Até lá, aguentem-se...

quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

Não em Casa

Custa-me um bocado actualizar este blog, porque como vocês sabem, esta vida de afinador é muito calminha. Mas para vos dar alguma informação, digo-vos que há umas semanas entreguei os dois orçamentos que vos tinha falado há alguns posts atrás. A partir de agora é esperar e ver se a minha honestidade laboral me dará frutos.
Não estou em casa até ao dia 6, que é o dia do concerto do Ary(zas) em Soure.
E já agora, se puderem apareçam!!

quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Nada haver com pianos mas...





Encontrei isto nos Meus Rapazainhes
Quando vi o video nem acreditei; vejam só a reacção dos presentes.Mas o mais engraçado, é que conheço um lugar onde este acontecimento ia ser alvo de imensas interpretações e explicações, com particular probabilidade de ser intitulado " mensagem do além", seja lá onde isso for.


domingo, 10 de Agosto de 2008

Lipp _ _ O_ _

Não dava para ver de tão gasta que estava, por isso é que tive de catalogar um piano sem saber de que marca era.
A Teresa (Obrigado pela angariação) disse-me que havia um piano na escola dela que precisava de levar um jeito, mas que já tinha pedido a um especialista para lhe dar um "budget" .Veio o budget e com ele a incredulidade visto que o custo era bastante elevado.
Chegou a minha vez de avaliar o piano. Vi, olhei, cheirei, toquei e dei o veredicto final: "yah...muito trabalho, mas nada do outro mundo."
Quando terminei de elaborar as minhas contas para ver quanto lhes ia sair este passeio, apercebi-me pela primeira vez que, neste mundo dos afinadores, mais do que noutros mundos, há muita vigarice e imenso gato por lebre. É pena...


Ah, consegui descobrir, é um Lipp & Sohn

=)

Estou contente!
Porque faz hoje uma semana que fui a Lisboa para fazer uma simples afinação. Combinei hora e local, e lá apareci.
Fui com a informação de que o piano estava em mau estado, mas não imaginava que o estado fosse tão mau. Era um piano Berdux de 1883, o que significa que bati o meu record da afinação do piano mais velho, com um de 125 anos!Por fora tinha aquele ar típico dos pianos utilizados nos filmes de terror, muito alto, e verdadeiramente escuro, e por dentro, um completo presente envenenado com a mecânica toda descalibrada, cordas partidas, REMENDOS, e tudo o que era tecido já tinha a assinatura da traça...enfim.
Comecei a afinar, uma duas três, dez notas, e lá para a 12ª aconteceu aquilo que pode ser a sentença de morte de um piano ou uma derradeira operação de barriga aberta: as cravelhas não seguravam a afinação. E para não bastar, passado um bocado, parti a minha primeira corda durante uma afinação. Resumindo, não podia estar a correr pior.
Como já estava tudo arruinado afinei tudo o que podia e quando já me estava a encaminhar para a dona do piano, lembrei-me de verificar se a alma do piano estava danificada (sim alma, não se esqueçam de que é um instrumento de cordas) .
Maravilha das marvilhas não estava, o que significava que o piano vai sobreviver à operação de barriga aberta. Fui logo dar as boas novas à dona e dizer-lhe que o queridinho dela tinha solução.
Ela ficou super contente e eu também, porque a alegria dela traduz-se num orçamento bastante interessante aqui para os meus lados!!
Acho que vou viver para Lisboa, ai vou vou.

Duas Semanas

Cheguei ontem à noite a casa depois de uma verdadeira odisseia de 15 dias naquele local.
Fui, erradamente, com o pensamento de que iria ser mais do mesmo mas com as normais particularidades que caracterizam cada novo grupo.
Erradamente, disse eu, porque tudo o que aconteceu, já Ele sabia e muito bem que ia ser tudo aquilo que eu não estava à espera.
Ele surpreendeu-me, como só Ele sabe fazer, e dou muitas graças por isso.
A odisseia não acabou assim que entrei em casa, pelo contrário; e posso dizer que só começou realmente hoje de manhã, quando acordei no silêncio que acompanha a plena escuridão do meu quarto e tive a total consciência de que Ele chamou-me.
E só agora percebi porque é que não afinei pianos durante tanto tempo.


Tudo tem o seu tempo?podes crer!!

De Volta

Passaram quase dois meses desde o ultimo post, e de certeza que iriam passar muitos mais se a Lena não me "relembrasse" da existência do blog! Gracias Lena =)
Como o tema das afinações é bastante limitante, vou começar a vos pôr ao corrente de outros assuntos, que entretanto considere oportunos.
E vou tentar ser assíduo.Prometo

Hasta pronto!!

0.800 mm

Complicado é encontrar um vendedor fiável de cordas!
Cordas de piano, já se sabe. São feitas de aço e cá em Portugal é lixadíssimo encontrar qualidade. Mas como Deus é meu amigo consegui encontrar uma loja na Alemanha que me pode vender cordas ao quilo, o que é fantástico =)
Já lhes enviei um email e já me responderam com o envio do "catálogo" deles, que não é nada mais do que um ficheiro Word de uma página, com letra Times New Roman e montanhas de números.


Mas eu gosto muito destes números

14:54


Precisava de um escape, e o que parecia apenas "fazível" no estrangeiro, acabou por se tornar numa ideia com pés e cabeça, esta de ser afinador de pianos.
E como juntar o útil ao agradável tem sempre a sua piada, vou fazer aqui um relato de todas as afinações e outros acontecimentos associados, ou não, que fiz, faço, ou vou fazer.


E era suposto já ter saído de casa...ai as horas.